Baader-Meinhof Blues (mini-conto)
dezembro 14, 2009 at 10:31 pm 2 comentários
É bom sentir o peso da granada em suas mãos. Dá uma sensação de poder incrível, você se sente o dono do mundo. Olhe em volta, tanta gente vivendo suas vidinhas comuns e alienadas. Todos são prisioneiros, primeiro do sistema, e, além disso, de seus próprios egos. A libertação de todos eles está em suas mãos, em seus dedos que envolvem o pino. Basta puxá-lo para tocar a canção de Kali, trazer a paz do caos para todos os atingidos.
O cheiro de pólvora penetra em suas narinas, ou no que restou delas em meio ao fogo e aos destroços que refletem no ar como as estrelas mortas que iluminam o céu noite após noite. Sua vida se esvai em regozijo com os gritos de dor e desespero, com o sangue que deixa o chão úmido, com a carne humana queimada e os restos de corpos espalhados enfeitando as ruas como bolas coloridas em uma árvore de natal.
Tudo isso em nome de quê? Vingar seus irmãos? Pra combater as injustiças do mundo? Pra agradar a Deus? Seja sincero ao menos nestes segundos que antecedem sua morte. Você fez isso pelo gosto da violência, pelo prazer de causar destruição. E saiba que amanhã, e depois de amanhã, e depois de depois de amanhã, outros seguirão seu caminho. Matarão em nome de justiça, de reparação, da segurança de seus semelhantes, em nome da igualdade ou do povo.
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1.
Romeu Martins | dezembro 15, 2009 às 10:29 am
Legal! Me lembrou a abertura do primeiro número de Invisíveis.
2.
rafaelluppi | dezembro 15, 2009 às 10:40 am
Que bom que gostou!