PORNOWEBCAM

A internet nos conecta com todo o mundo, o tempo inteiro. A quantidade de informação é gigantesca, você pode conhecer gente do mundo inteiro e trocar idéias sobre tudo o que acontece em tempo real. Uma maravilha. Mas a principal utilidade até hoje parece que tem sido a de tornar a pornografia acessível para todos.

É praticamente um puteiro em sua casa. Você pode ter mulheres de qualquer tipo nuas para você a qualquer hora do dia, fazendo qualquer tipo de fantasia que você tenha ou ainda nem sabe que tem. São blogs, sites, redes p2p, tem até o youtube do pornô – na verdade, mais de um. Nenhum ser humano daria conta de assistir a todos os vídeos pornôs que estão na internet, e cada dia esse número aumenta mais.

Ok, isso tudo é mesmo uma festa pros punheteiros de plantão. Vaginas e bundas em closes que fariam inveja a Sergio Leone, mulheres recebendo sêmen em todas as partes de seu corpo, etc. Mas nem o mais viciado agüenta ficar só assistindo vídeos, e mais cedo ou mais tarde vai querer partir para a ação.

No início era tudo mais inocente. Um homem fingia que era mulher, outro garoto também, eles se encontravam num chat sem se conhecer e faziam sexo lésbico a madrugada inteira. Mas isso devia ser meio incômodo, como eles faziam pra gozar e teclar ao mesmo tempo? Foi aí que veio a grande revolução: a webcam!

Agora você pode ficar sem roupa na frente de desconhecidos e achar que realmente está fazendo sexo. A imaginação diminuiu, mas a sensação de realidade aumentou.

O problema disso tudo é que o sexo, pra maioria das pessoas ao menos, é uma coisa íntima. Mas ao passar isso pra rede, corre-se o risco de ter exposta, contra a vontade, a sua intimidade para o mundo todo. Imagine seus amigos te vendo fazer sexo. Imagine SEUS PAIS te vendo fazer sexo. Não deve ser nem um pouco agradável.

E é só correr esses sites pornôs para achar uma enorme quantidade de vídeos e fotos amadoras. Daí para um conhecido acessar o site e divulgar, e ter uma vida destruída, é só um passo. E vai ser enquanto assiste ao seu vídeo fazendo um strip que o Abismo vai te perguntar: “Que tal agora você ficar de quatro?”.

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dezembro 8, 2009 at 9:55 pm 2 comentários

O CRIME PERFEITO

O primeiro homicídio a gente nunca esquece. Não foi premeditado, nem a sangue-frio, mas o gostinho que ele deixa, para o bem ou para o mal, é inesquecível. Depois de matar alguém, você nunca mais é o mesmo.

Hoje contarei como matei Jean Baudrillard. Sim, o filósofo/sociólogo francês não morreu doente em 06 de março de 2007. Ou melhor, morreu sim, mas não só por isso. Quem o matou fui eu, admito.

Dois ou três dias antes de sua morte, estava eu na Livraria da Travessa, na Avenida Rio Branco, escolhendo que livro levaria pra casa. Achei uma pilha de livros dele, folheei um a um, com calma, tentando me decidir qual levaria. Até que percebi que não, não estava afim de ler nada dele naquele dia.

Ao devolver a pilha de livros à prateleira, no plano simbólico disparei um tiro direto no peito do autor francês. E, assim como as Torres Gêmeas entenderam que o ataque da Al Quaeda foi o único acontecimento real de nossos tempos, e por isso resolveram se implodir, Baudrillard compreendeu que a minha recusa à sua obra significava que sua hora havia chegado, entregando-se a morte. No plano simbólico, eu o assassinei.

O detalhe: a morte dele ocorreu no dia do meu aniversário.

Desde então carrego na consciência este ato hediondo. Não tive sangue nas mãos, foi tudo muito limpo, até mesmo asséptico. Voltei a ler o cara depois disso, mas aparentemente não tenho o dom da ressurreição.

Já pensei em fazer um ritual de magia do caos para evocá-lo, nem que seja pra pedir desculpas. Mas tenho medo, pois sei que, do outro lado do Abismo, ele vai me falar “E aí, foi real o bastante para você?”.

novembro 19, 2009 at 10:47 pm Deixe um comentário

BIBLIOTECA DO ABISMO: GÊNESIS POR ROBERT CRUMB

robert crumb genesis 2

 

Provando o bom momento que os quadrinhos vivem no Brasil, saiu por aqui, em lançamento mundial, o livro do Gênesis ilustrado por Robert Crumb, publicado pela Editora Conrad. Se bem que “ilustrado” não é o termo correto: é uma obra verdadeiramente autoral, tendo por base o primeiro livro sagrado da Bíblia.

Há quem afirme que este trabalho foi menor dentro da obra do quadrinista norte-americano. Discordo totalmente. É verdade que o texto reproduz ipsis literis a Bíblia. Contudo, só o fato dele ter escolhido uma entre as possíveis traduções já demonstra que não se trata de simplesmente fazer ilustrações para o livro. Escolha consciente do artista, portanto, que sabia muito bem o que queria em cada uma das páginas desenhadas.

O que a torna autoral é justamente as escolhas de Crumb. Ele seleciona o que mostrar ou não. O fato de manter o texto inalterado serve para ressaltar as contradições das próprias religiões que tomam o texto como sagrado. Temos estupros, assassinatos, incesto, e tudo isto está lá, na fonte original. Ao explicitar nos desenhos o que ocorre na narrativa, Crumb desnuda os preconceitos reforçados pelas instituições religiosas. Todas as proibições morais e sexuais são praticadas pelos personagens, muitas vezes sem o menor pudor.

Os representantes das igrejas tomam para si o papel de árbitros do que pode ou não ser praticado, e condenam, por vezes sem justificativas racionais, atos e idéias que contrariem o que eles determinam. A autoridade que baseia suas decisões é a da fé, e a Bíblia é o texto que serve de base para os discursos religiosos. Vem então Crumb e utiliza a própria Bíblia para expor a hipocrisia e arbitrariedade dos que a utilizam para destilar e reafirmar seus próprios preconceitos.

O que temos em Gênesis por Robert Crumb é mais do que um livro ilustrado. A obra serve para desconstruir os argumentos religiosos, e com base no próprio texto bíblico. Desta forma, o autor diminui consideravelmente o espaço de manobra para quem pretender contrariar sua visão. Ao manter intactas as palavras do Gênesis, impossibilita que se utilizem argumentos de autoridade com base “na palavra sagrada”. Longe de ser uma obra menor, na verdade Crumb marcou um belo gol com este livro.

novembro 4, 2009 at 9:11 pm 2 comentários

FALA EVA E ADÃO BEM RÁPIDO

FALA EVA E ADÃO BEM RÁPIDO

Gênesis. Adão e Eva, todo mundo conhece a história. O primeiro homem, a primeira mulher, uma cobra, uma maçã. A primeira cagada. Dizem no lado aí de cima que a maçã significa o conhecimento, ou a primeira vez que Adão deu no couro. Mas do lado de cá o que se conta é diferente.

A maçã na verdade simboliza o arrependimento. Foi quando Ele viu que tinha feito merda. Ficou puto não pela desobediência em si, mas ao perceber que tinha aberto a Caixa de Pandora (que na época era dEle mesmo, o politeísmo ainda não tinha sido inventado). “Puta que o pariu!” foram as divinas palavras saídas de seus lábios onipotentes. O pior é que na época Ele ainda não tinha inventado o Estagiário, essa entidade que serve pra gente jogar a culpa sempre que algo dá errado.

Quer dizer, até dá pra entender o Velho Barbudo. Se os humanos foram criados à imagem e semelhança divina, Ele não deve ter gostado muito de ter se visto no espelho.  Afinal, o primeiro filho do casal primordial matou o segundo pra agradar Deus. Se na época já existisse a pólvora, o primeiro homem-bomba já estava inventado. Mudam os métodos, permanece a intenção.

Está certo que Ele podia ter desfeito tudo num estalar de dedos, mas aí já tinha se apegado aos bichinhos. Pense no seu cachorro: ele pode cagar na casa toda, querer transar com tudo que vê na frente, pular na perna das visitas, ficar latindo pro nada de madrugada. Só que, apesar de tudo, você acha ele legal e tem sentimentos sinceros pelo animal. É a mesma coisa entre Deus e os homens. A diferença é que a humanidade desenvolveu a inteligência e bolou maneiras criativas de matar seu semelhante – espadas, revólveres, bombas atômicas. O Pai fez o que nós faríamos, expulsou os bichos da sala – o Paraíso – e mandou pro quintal – a Terra. Se um dia o cachorro aprender que o tapete persa não é toalete, pode voltar pro Paraíso.

Quem se deu mal nisso tudo foi Jesus. Ele estava quieto no canto dele, curtindo a vida eterna, daí chega o Velho e diz “Essa pica é tua, Aspira!”.  Deu no que deu. O coitado do Messias até que tentou, mas até hoje, dois mil anos depois, parece que ninguém aprendeu.

Jesus sofreu pra cacete naquela cruz. Demorou pra morrer também, pro seu azar. Pouco antes de partir dessa pra melhor (no caso dele, com certeza pra *muito* melhor), Ele encarou fixamente o Abismo, que, como sabemos, sempre olha de volta. Foi quando falou “Senhor Zero-Um, missão cumprida!”, no que ouviu em resposta “Essa você põe na conta do Papa”.

 

novembro 2, 2009 at 9:53 pm 2 comentários

QUANTOS ANOS VOCÊ TEM?

Houve um tempo em que ou você era bebê ou era adulto. Uma criança era vista como um adulto pequeno, já possuía suas responsabilidades. Fosse estudar pra um dia herdar o trono, fosse trabalhar numa jornada de trabalho igual ou pior a dos mais velhos. Com o tempo o conceito de infância foi criado, assim como o de velhice surgiu a partir do momento que os homens começaram a sobreviver aos anos de trabalho.

Hoje estamos caminhando para nos tornarmos todos crianças até morrer com 100 anos de idade. Aí está a indústria de cosméticos e da moda nos vendendo a eterna juventude. A medicina estética também vai na mesma toada. Toda essa gente esticada que se acha linda e “com cara de nova” está por aí desfilando e se achando o máximo. O cinema é feito “para toda a família”, ou seja, o público inteiro é tratado como se tivesse a mentalidade de uma criança de 6 anos. E os produtores não parecem estar muito errados…

Como diz um dos personagens do filme Cão sem Dono, hoje a adolescência vai dos 12 ao 32.  O que, olha só, ainda me torna adolescente, mesmo com esses dois fios brancos na barba querendo me dizer o contrário. Legal, posso me achar maduro pra fazer o que quiser e ainda ter tempo pra tirar uma soneca quando voltar do colégio, certo?

Sonhamos todos em nos transformar em Zeus, assassinando Cronos e nos tornando o principal deus do Panteão. Só que o Abismo nos mantém sempre acordados, mandando seus sinais.  É o chefe implicando com a vírgula que você botou no lugar errado, é o trânsito ou transporte coletivo roubando horas de sua vida, são as parcelas intermináveis daquilo que você comprou e agora vê que nem precisava tanto assim, é o seu pau que só sobe com uma azulzinha – sempre tem algo pra nos lembrar que não, não somos deuses. E putaqueopariu, como isso é frustrante!

Para um homem, nada dói mais do que fazer um exame de próstata. Numa dedada, toda aquela masculinidade que você lutou por anos pra manter vai por água abaixo. A recusa ao exame é o último bastião permitido para o machismo – é feio querer se dizer superior as mulheres, bater nelas nem pensar, tem que dar satisfação de como gasta o dinheiro, ajudar nas tarefas domésticas, cuidar das crianças, chamar alguém de veado é preconceito, MAS NA MINHA BUNDA NINGUÉM ENCOSTA!!!

É, amigão, sinto te dizer, mas sua hora vai chegar. Vai ter que arriar as calças, ficar de quatro e abrir seu anel pro dedo do doutor poder entrar. E vai ser nessa hora que o Abismo, gargalhando, vai te perguntar: “Quantos anus você tem?”.

outubro 29, 2009 at 11:41 pm 8 comentários

Acenos do Abismo

Nietzsche antes de morrer ficou louco, assinando cartas ora como Dionísio, ora como Cristo. Não se é um avatar de Zaratustra sem pagar o devido preço. Dizem que tudo isso foi por perder a mulher que gostava pra outro cara, o que seria bem típico do século XIX. Nessa época, os europeus se matavam a torto e a direito em guerras, ou trabalhando em minas de carvão ou algo do tipo 18 horas por dia. Num ambiente desses, morrer por amor realmente devia parecer bem romântico.

Mas o nosso filósofo alemão bigodudo favorito não enlouqueceu por amor. O problema dele foi ter encarado o Abismo, e ter sido o primeiro a perceber que o Abismo olha de volta.  Quando afirmou que ao combater monstros podemos nos tornar um deles, foi com conhecimento de causa. Afinal, descobrir o cadáver de Deus e anunciar ao mundo que o Criador está morto deve pirar a cabeça de qualquer um.

Mas isso tudo foi no século retrasado. Hoje estamos no século XXI, a Era da Informação, das Vidas Líquidas, etc. Estamos plugados 24 horas na rede, em meio a um fluxo de informações tão intenso que é impossível tentar absorver tudo. Os paradigmas estão mudando – o socialismo caiu como uma fruta podre, o capitalismo anda mal das pernas e eu mesmo não ando me sentido muito bem. Nossos corpos agora possuem extensões como Ipods, Iphones e qualquer outra coisa que nos insira cada vez mais no mundo virtual, ao mesmo tempo em que nos isolamos cada vez mais no chamado “mundo real”.

Porque até a realidade não é mais a mesma. Quem diz que nosso século começou com a queda das Torres Gêmeas ainda está com o pensamento nos anos 1800. O século XXI foi inaugurado oficialmente quando o filme Matrix estreou nos cinemas. Desde então, o real e o virtual se imiscuíram no inconsciente coletivo. Não tem mais jeito, véio. Pode jogar todas essas suas certezas na lata do lixo, porque a partir de agora tudo estará pra sempre mudando no mundo  – quando você achar que aprendeu algo, vai descobrir logo depois que já surgiu uma versão mais atual, repaginada e remodelada que, quando finalmente você estiver dominando, já estará obsoleta outra vez.

Não é à toa que o fundamentalismo religioso cada vez mais se fortalece em todo o planeta. As pessoas necessitam de certezas para não ter que olhar para o Abismo. E agora ele não só olha de volta, como também se comunica. O Abismo acena para você, amigo. Ele acena e pergunta “Está certo disso?”.

agosto 1, 2009 at 3:18 pm 4 comentários

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