Adeus a Saramago

junho 19, 2010 at 6:20 pm 6 comentários

Quinta-feira à noite, dia 17 de junho de 2010. Havia terminado minhas tarefas do dia, e estava pensando no que ler antes de dormir – é um costume antigo meu, não pego no sono sem ter lido ao menos uma página que seja. Estava cansado, e indeciso quanto à leitura.  Decidi então pegar o livro A Bagagem do Viajante, a coletânea de  crônicas de José Saramago. Abri-o numa página qualquer, indo aonde aleatoriamente o destino determinasse (Cronicamente Natalina foi a que li, uma visão agridoce do feriado cristão).

No dia seguinte pela manhã, acordo, ligo a tv para acompanhar a Copa do Mundo e, de repente, o narrador da ESPN Brasil comunica a nota triste do dia: morre o escritor português José Saramago.

Por alguns segundos o meu mundo caiu: meu escritor favorito havia morrido, como assim? Demorou um pouco até que eu me acostumasse com a idéia. Mas o dia seguiu, triste. O pior é que o dia foi realmente ruim, vi pequenas  injustiças e o desrespeito dos seres humanos com seus semelhantes acontecer – impossível não lembrar do recém-falecido ganhador do Nobel de Literatura e sua eterna indignação com os poderosos.

O engraçado é que sempre me perguntei o que faria quando Saramago morresse, quantas saudades eu sentiria de seu texto belo e contudente, da sua defesa sem concessões do que acreditava, da sua oposição aos fanatismos e à visão financeira do humano em detrimento da humanista. Só com a sua partida é que percebi o óbvio: o homem foi, mas a obra ficou. Agora, sempre que sentir saudade de meu escritor favorito, já sei o que fazer: abrirei um livro dele, aleatoriamente, e lerei uma página qualquer.

Saramago, serenamente,  encarou o Abismo, e este respondeu “Parabéns, missão cumprida!”

Abaixo, um vídeo de Saramago em homenagem às mães da Praça de Maio (se não me engano, um trecho do livro O Ano de 1993)

P.S : estava pleanejando a volta do blog para depois da Copa, mas a vida (ou, no caso, a morte) mais uma vez muda os planos.

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Um conto para o Haiti Mas que eca de piada!

6 Comentários Add your own

  • 1. Bernardo  |  junho 19, 2010 às 6:35 pm

    Olá, Rafael!

    Restou-nos a obra para matarmos a saudade. Sem dúvida, criamos um vínculo com o autor e é triste saber que nada novo virá. Mas, como você disse, poderemos sempre lê-lo.

    Abraços!

    Responder
    • 2. rafaelluppi  |  junho 19, 2010 às 6:58 pm

      Pois é Bernardo, acho que a vantagem de ser artista é essa: sempre restará a obra para ser lembrada.

      E o trecho do vídeo é sim muito emocionante.

      Um abraço!

      Responder
  • 3. Fabio Fernandes  |  junho 19, 2010 às 6:44 pm

    A saudade já é grande mesmo, Rafael. Já coloquei dois livros dele na minha cabeceira para ajudar a preencher a ausência (não preenche, claro, mas é sempre um pouco de luz para combater a escuridão)

    Responder
    • 4. rafaelluppi  |  junho 19, 2010 às 7:00 pm

      Eu aproveitei pra reler o resto da Bagagem… e depois vou emendando nos que ainda não li.

      Responder
  • 5. Bernardo  |  junho 19, 2010 às 6:44 pm

    Belíssimo o trecho lido no vídeo.

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  • […] This post was mentioned on Twitter by fabiofernandes and Fernando S. Trevisan, rafaelluppi. rafaelluppi said: Acenos do Abismo, meu blog, está de volta com minha despedida a José Saramago http://migre.me/QwCH […]

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